3 de jun de 2011

SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO DE PIERRE BOURDIEU: LIMITES E CONTRIBUIÇÕES

A  SOCIOLOGIA  DA  EDUCAÇÃO  DE  PIERRE  BOURDIEU:
LIMITES  E  CONTRIBUIÇÕES


       A reflexão buscará compreender as contribuições e limites da Sociologia da Educação de Pierre Bourdieu, em razão de sua importância para uma melhor compreensão do processo educativo, em seu processo histórico.   
       O pensador busca através de suas reflexões respostas para o problema das desigualdades escolares, e seu contexto.           
       O estudo de Bordieu tornou-se um marco na sociologia da educação e também histórica. Havia em seu tempo, um senso comum dominante que apontava que a escola pública e gratuita teria resolvido o problema do acesso à educação  e,  assim, garantida,  em   princípio,  a  igualdade  de  oportunidades  entre  todos. Acreditava-se que a escola era uma instituição neutra onde os educandos eram selecionados a partir do critério racional. Predominava também nas Ciências Sociais um senso-comum e uma visão extremamente otimista, onde a educação teria um papel  importantíssimo no processo  de  superação  do  atraso  econômico,  do  autoritarismo  e  dos privilégios e apontando para a possibilidade de  construção de uma nova sociedade diferente daquela existente. Acreditava-se     que a escola pública resolveria o problema do acesso à educação e dessa forma estava garantida a igualdade de oportunidades entre todos os cidadãos.
       Nos anos 60 ocorre uma crise profunda dessa concepção de escola e acontece uma reinterpretação radical do papel dos sistemas de ensino na sociedade. A partir desse contexto e de pesquisas realizadas, constatou-se que o desempenho escolar não dependia, tão simplesmente, dos dons individuais, mas da origem social dos alunos (classe, etnia, sexo, local de moradia, entre outros). Na Franca especificamente caracterizado por um sistema autoritário e elitista educacional e em razão do baixo retorno social e econômico alcançado pelos certificados escolares no mercado de trabalho.
      Outra característica marcante que aparece no texto é a chegada ao ensino secundário e à universidade da primeira geração beneficiada pela forte expansão do sistema educacional no pós-guerra, acompanhada pela desvalorização e massificação¸ frustrando expectativas de mobilidade social através da escola. Todo esse contexto, segundo Bourdieu, contribuiu para a eclosão do amplo movimento de contestação social de 1968.
        A partir de Bourdieu a educação perde o papel que lhe fora atribuído de instância transformadora e democratizadora das sociedades e passa a ser vista como uma das principais instituições por meio da qual se mantêm e se legitimam os privilégios sociais.
      Bordieu não concorda e questiona a questão da neutralidade da escola e aponta que a mesma tem um papel ativo no processo de reprodução das desigualdades sociais. Faz avaliação crítica com relação ao subjetivismo e também as questões estruturais, denominadas de objetivismo. Bourdieu nega o caráter autônomo do sujeito individual.  Afirma que cada indivíduo passa a ser caracterizado por uma bagagem socialmente reconhecida destacando ainda a importância do conhecimento como capital cultural.       Observamos no texto que Bourdieu distingue freqüentemente três conjuntos de disposições e de  estratégias  de  investimento  escolar. O primeiro deles seria como capital econômico e cultural, onde o investimento no ensino, não traria somente benefícios econômicos, mas também muitos benefícios sociais.
         O autor analisa as possíveis razões do sucesso ou fracasso nas várias classes sociais, variando de acordo com as atitudes que as famílias têm relação à educação dos filhos.   
         Analisa também a função da escola no aspecto da ação dos professores trabalham no processo de ensino-aprendizagem, ou seja, os conteúdos são igualmente desenvolvidos considerando que todos os alunos tivessem os mesmos instrumentos de decodificação, o que nem sempre acontece. Considera que a escola cumpriria assim, simultaneamente, sua função de reprodução e de legitimação das desigualdades sociais.  A reprodução seria garantida pelo fato de que os alunos que dominam, por sua origem, os códigos necessários à decodificação e assimilação da cultura  escolar  e que,  em  função  disso,  tenderiam  a  alcançar  o  sucesso  escolar, sendo que para as classes menos favorecidas eram levadas a acreditar que  suas  dificuldades  escolares  tinham origem em uma  inferioridade  que  lhes  seria inerente, definida em termos intelectuais (falta de inteligência) ou morais (fraqueza  de  vontade). Dessa forma a escola estaria contribuindo para a perda da cultura familiar.
       Uma das principais contribuições de Bourdieu  a partir da compreensão  sociológica é de ter apontado que a escola  foi  a  de  ter  ressaltado  que a escola na é uma instituição neutra.
      Outra contribuição foi na perspectiva de ajudar a compreender a relação que existe entre o quadro macrossociológico de análise das relações entre o sistema de ensino e a estrutura social.
      Concluindo gostaria de afirmar que foi muito interessante e altamente construtiva a leitura do texto, por sua importante contribuição na compreensão da realidade educacional e sua relação com a sociedade e sua organização, ajudando­-nos a perceber como o sistema educacional pode ser fundamental, determinante para a manutenção da sociedade ou para a transformação.

                    Referencias:

                    - http://www.scielo.br/pdf/es/v23n78/a03v2378.pdf

Passo Fundo, 03/06/2011
Onesio Primo Longhi


Um comentário:

  1. Estou entrando, conhecendo e me apaixonando!Que lindo blog, que visão reconfortante! Obrigada Professor. Rosimeri Mattos

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