30 de jan de 2013

Cidadania não se faz vazia


Cidadania não se faz vazia
“Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão”. (Paulo Freire)
A cidadania não é vazia. Ela reveste-se de conteúdos e práticas que traduzem, necessariamente, atitudes, vivências e oportunidades que todos realizamos em sociedade. Cidadania é a possibilidade concreta de todos e todas usufruírem das condições materiais, culturais e científicas produzidas por uma nação e pelo mundo. Para alguns poucos, talvez, cidadania não signifique mais do que reconhecimento. Para a maioria, no entanto, cidadania representa a possibilidade de participar do mundo, a partir de condições de uma vida na dignidade. A dignidade humana envolve questões elementares como educação, habitação, alimentação, saúde, lazer, trabalho, consideração e respeito.
            O Brasil promoveu, nos últimos anos, importantes avanços para combater a pobreza e as desigualdades sociais, mas ainda vivemos sob a regência de uma “cidadania de papel”. Gilberto Dimenstein, autor do livro “O cidadão de papel”, afirma que “cidadão de verdade é aquele que é respeitado e pode se sentir digno ao pagar impostos”. Ainda vivemos situações onde a cidadania não acontece por conta da própria burocracia estatal que se encarrega de dificultar o acesso aos bens e serviços básicos. A burocracia, o papel, atrapalha e dificulta muito a cidadania. A legislação brasileira, tida como uma das mais avançadas, não garante cidadania. Para tirá-la do papel, é preciso exigir e cobrar permanentemente a sua efetividade no cotidiano de nossas comunidades. Mas como cobrá-la se nem sempre temos pleno conhecimento de nossos direitos ou se não temos disponibilidade pessoal ou coletiva para cobrá-la?
A decadência do poder da cidadania leva as pessoas a apostar na sorte. Os direitos passam a ser vistos como possibilidades sujeitas a trocas ou favores e não como elementos de exigibilidade. Muitos brasileiros, infelizmente, são induzidos a crer que a sua vida sempre depende da bondade, conhecimento ou influência de alguém. Desta forma, vivem passivamente à espera de dias melhores, sem tomar as suas iniciativas.
Para vivermos uma cidadania ativa, precisamos construir condições de “empoderamento” através da informação, conhecimento, orientação e organização das pessoas em suas comunidades. Quem conhece seus direitos, participa de sindicatos, grupos ou associações, passa da apatia cidadã para uma postura de sujeito de direitos, tornando-se capaz de reclamar e atuar na defesa e promoção dos direitos, sem pestanejar. Ao perceber os limites de sua atuação individual, passa a ser também um sujeito social, capaz de buscar soluções de forma coletiva e organizada. A organização coletiva, para a conquista dos direitos, é a melhor forma de transformar “letra morta” (lei) em realidade.
Ao contrário dos valores individualistas e egoístas, a luta por direitos humanos se faz na cooperação, no amor e na solidariedade. Lutar por direitos é acreditar nas potencialidades humanas e na liberdade de cada um e cada uma realizar as suas escolhas.

Nei Alberto Pies, professor e ativista de direitos humanos.


23 de jan de 2013

REPERTÓRIO CULTURAL

>>> REPERTÓRIO CULTURAL IMENSO - VERIFIQUE

HISTORIA DA RIQUEZA DO HOMEM - Leo Huberman


HISTORIA DA RIQUEZA DO HOMEM - Leo Huberman - 1936 - EUA

ESTE livro tem um duplo objetivo. É uma tentativa de explicar
a história pela teoria econômica, e a teoria econômica pela histó-
ria. Essa inter-relação é importante — é necessária, O ensino da
história se ressente quando pouca atenção se dispensa ao seu as-
pecto econômico; e a teoria econômica se torna monótona, quan-
do divorciada de seu fundo histórico. A “Ciência triste” continu-
ará trine, enquanto ensinada e estudada num vácuo histórico. A
lei da renda de Ricardo é, em si, difícil e insípida. Mas situada
em seu contexto histórico, vista como uma batalha na luta entre
proprietários de terras e industriais, na Inglaterra do início do
século XIX, ela se tornará animada e significativa.

Este livro não pretende ser exaustivo. Não é uma história
econômica nem uma história do pensamento econômico — mas
um pouco de ambas. Tenta explicar, em termos de desenvolvi-
mento das instituições econômicas, por que certas doutrinas sur-
giram em determinado momento, como se originaram na pró-
pria estrutura da vida social, e como se desenvolveram, modifi-
caram e foram ultrapassadas, ao mudarem os padrões daquela
estrutura.

22 de jan de 2013

LIVRO - FERNANDO CAPELO GAIVOTA

>>> FERNANDO CAPELO GAIVOTA 

 O livro “Fernão Capelo Gaivota”, publicado em 1970 por Richard Bach, é uma história metafórica, uma parábola sobre liberdade verdadeira, superação de limites, encontro de si mesmo, amor e compreensão do outro; mas não tem nada de livro de auto-ajuda! O livro pode ser uma boa forma de ingressar em uma forma de pensamento filosófico, de questionamento do estabelecido e de construção de conceitos próprios.

Veja você mesmo, leia e verás a beleza que é...

>>> O que é ÉTICA? Coleção Primeiros Passos

>>> O que é ÉTICA? Coleção Primeiros Passos

6 de jan de 2013

O BRASIL E A POLITICA INTERNACIONAL


>>>POLITICA INTERNACIONAL E O BRASIL

DEZ ANOS DE AVANÇOS


Dez anos de avanços
publicado em 03/01/2013
Por Dilma Rousseff
Fonte
Seção Tendências e Debates, jornal Folha de S.Paulo 30/12/2012
Os dez anos de governos liderados pelo Partido dos Trabalhadores
marcam a incorporação de uma nova agenda para o Brasil.
O combate à desigualdade social passou a ser uma política de Estado, e
não mais uma ação emergencial. Os governos do presidente Lula e o meu
priorizaram a educação, a saúde e a habitação para todos, a retomada
dos investimentos públicos em infraestrutura e a competitividade da
economia.
Na última década, raros são os países que, como o Brasil, podem se
orgulhar de oferecer um futuro melhor para os seus jovens. A crise
financeira, iniciada em 2007, devastou milhões de empregos e
esperanças no mundo desenvolvido.
No Brasil, ocorreu o contrário. Cerca de 40 milhões de pessoas foram
incorporadas à chamada nova classe média, no maior movimento de
ascensão social da história do país. A miséria extrema passou a ser
combatida com uma ação sistemática de apoio às famílias mais pobres e
com filhos jovens.
Através do programa Brasil Carinhoso, somente em 2012 retiramos da
pobreza extrema 16,4 milhões de brasileiros. Entre 2003 e 2012, a
renda média do brasileiro cresceu de forma constante e a desigualdade
caiu ano a ano. Nesta década, foram criados, sem perda de direitos
trabalhistas, 19,4 milhões de novos empregos, sendo 4 milhões apenas
nos últimos dois anos.
Reconhecer os avanços dos últimos dez anos significa também reconhecer
que eles foram construídos sobre uma base sólida. Desde o fim do
regime de exceção, cada presidente enfrentou os desafios do seu tempo.
Eles consolidaram o Estado democrático de Direito, o funcionamento
independente das instituições e a estabilidade econômica.
Acredito que os futuros governos tratarão como conquistas de toda a
população nossos programas de educação --como o Pronatec, de formação
técnica, o ProUni e o Ciência Sem Fronteiras-- e de eficiência do
Estado --como os mecanismos de monitoramento de projetos do PAC
(Programa de Aceleração do Crescimento) e a transparência na prestação
de contas da Lei de Acesso à Informação.
O Brasil que emerge dos últimos dez anos é um país mais inclusivo e
sólido economicamente. O objetivo do meu governo é aprofundar estas
conquistas.
O desafio que se impõe para os próximos anos é, simultaneamente,
acabar com a miséria extrema e ampliar a competitividade da nossa
economia. O meu governo tem enfrentado estas duas questões. Temos um
compromisso inadiável com a redução da desigualdade social, nossa
mancha histórica.
Ao longo de 2012, lançamos planos de concessões de rodovias,
ferrovias, portos e aeroportos, que abrem as condições para um novo
ciclo virtuoso de investimento produtivo. Reduzimos a carga
tributária, ampliamos as desonerações na folha de pagamento e, em
2013, iremos baratear a tarifa de energia.
São medidas fundamentais para aumentar a competitividade das empresas
brasileiras e gerar as condições de um crescimento sustentável.
Iremos aproveitar a exploração do pré-sal para concentrar recursos na
educação, que gera oportunidades para os cidadãos e melhora a
qualificação da nossa força de trabalho.
É a educação a base que irá nos transformar em um país socialmente
menos injusto e economicamente mais desenvolvido. Um Brasil
socialmente menos desigual, economicamente mais competitivo e mais
educado. Um país que possa continuar se orgulhando de ofere
cer às novas gerações oportunidades de vida cada vez melhores. Um país melhor
para todos.
Tenho certeza que estamos no rumo certo.
Dilma Rousseff é presidente da República desde janeiro de 2011

4 de jan de 2013

TCC - Tecnologias na Educação

http://www.4shared.com/office/-PTIhPQH/Onesio_Longhi.html?

QUAIS RESPOSTAS DEPENDEM DA EDUCAÇÃO


Quais respostas dependem da educação
           
            "Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda."
(Paulo Freire)
            Os novos gestores municipais herdaram grandes desafios para seus mandatos, especialmente para a educação básica. Na condição de professor de uma rede municipal e rede estadual de ensino, ousamos “palpitar” sobre aspectos que consideramos fundamentais para alavancar uma educação de qualidade. Os desafios para uma boa gestão em educação precisam dar conta de aspectos estruturais, funcionais e pedagógicos.
Muito se fala e se discute a respeito do papel da educação no desenvolvimento cultural e econômico de uma nação. Se é verdade que a “educação precisa de respostas”, tão verdadeiro é que as mudanças que esperamos a partir da educação não se farão sozinhas. Mudanças de postura, comportamento, inovação e criatividade virão quando forem acompanhadas de outras políticas públicas capazes de elevar a condição social de nossa gente e das condições objetivas para fazermos uma educação de qualidade. Neste sentido, não podemos afirmar de que “tudo passa pela educação”, embora, sem ela, nenhuma mudança terá condições de acontecer.
A criatividade, a inovação e a ousadia sempre foram bases para os grandes avanços da humanidade. Mas antes os gestores precisam conhecer e reconhecer a realidade de sua rede municipal de ensino, as expectativas da comunidade e os “pensamentos” que movem os seus professores. Após este reconhecimento, devem traçar metas e “marcas” que desejam imprimir na sua gestão. As marcas gerarão a identidade do trabalho político e pedagógico de cada rede de ensino.
Os aspectos estruturais envolvem o cuidado, a preservação e o “embelezamento físico” dos prédios e salas de aula. Os ambientes escolares precisam uma boa pintura, uma boa organização e distribuição de espaços, um ambiente agradável e aconchegante, um mobiliário bom e adequado. Nossos estudantes merecem e precisam sentir-se bem, e bem acomodados, para o pleno envolvimento com as aprendizagens. Os aspectos funcionais referem-se ao bom e respeitoso tratamento que será dispensado aos funcionários e professores das escolas. O trabalho árduo e cotidiano dos professores precisa ser reconhecido em sua dignidade humana e profissional. Os aspectos pedagógicos, tão importantes quanto os demais, devem levar em conta a experiência acumulada de cada educandário e de cada professor e professora, apresentando aos mesmos novos desafios para dinamizar as aprendizagens. A formação continuada dos professores precisa ser combinada e dialogada, antes de ser executada, para que ocorra verdadeiro envolvimento. Deve, ainda, produzir a sistematização e discussão das práticas pedagógicas. Esta poderá sim produzir novas posturas e compreensões para intervenção em sala de aula.  
As respostas que dependem da educação nunca estarão plenamente definidas. O que sabemos é que uma educação que leva em conta os desejos da comunidade, dos professores e dos alunos corre sério risco de colaborar com habilidades, atitudes e conhecimentos que farão diferença para o futuro do Brasil. Ademais, nossa educação precisa colaborar para o exercício e a prática da cidadania, esta sim, capaz de operar as grandes mudanças de que o nosso país precisa. Nossas escolas devem ser “o primeiro e maior lugar de vivência de direitos”. Os gestores municipais que entenderem isto farão uma grande diferença na educação brasileira.
Nei Alberto Pies, professor e ativista de direitos humanos.