18 de out de 2012

POLITICA...

De marcas e identidades políticas
 
“A política é a arte do possível. Toda a vida é política”. (Cesare Pavese)

            Depois das eleições, é comum que diferentes pontos de vista sejam empenhados para justificar os resultados e o suposto recado da população através das urnas. Para além destes elementos, é importante destacar como os políticos, agora eleitos, foram conquistando para si a confiança dos outros e como foram capazes de mobilizar mentes e corações que os acompanharam durante o período eleitoral. Nas eleições municipais, a proximidade, o conhecimento e reconhecimento dos candidatos somam-se para a definição e tem certo peso na definição das escolhas.
Cada um de nós compõe a sua história social. Somos o que somos e o que representamos. Em torno da gente, construímos um ideário que se compõe a partir das nossas ideias e atitudes, das nossas relações pessoais e interpessoais e dos nossos posicionamentos em relação à vida, à sociedade e o mundo. Todos somos seres políticos e “toda a vida é política” porque viver em sociedade exige posicionamentos, opções e virtudes, permanentemente. Quem se dispõe à vida pública deve saber que todos estes elementos serão avaliados e confrontados com aquilo que propõe como soluções coletivas. Daí que não é possível separar a pessoa da função ou do cargo e vice-versa.
A política, para além da busca do bem-comum, é uma grande paixão que alimenta horizontes utópicos pessoais e coletivos. Cada candidato, ao longo de sua vida, foi construindo um capital social que, nas eleições, colabora para criar uma identidade com o seu eleitor. Este capital é social porque construído na relação com a comunidade, com o partido e com seus pares (apoiadores). Muitos chamam este capital de carisma, de marca, de imagem, de identidade própria, de peculiaridade.
Quando o marketing e a propaganda política traduzem e afirmam a identidade dos candidatos, cumprem papel preponderante para subsidiar a escolha dos eleitores (ao ler esta reflexão você pode estar avaliando o quanto foi influenciado pela propaganda e mídia na decisão de seu voto). Do contrário, a propaganda soa falsa, não cola na imagem do candidato e passa ao eleitor uma ideia de falsidade ou inverdade.
Contexto político e econômico favorável, apoio político, fala boa e bem articulada, boa comunicação, marketing e argumentos bem construídos nem sempre são suficientes para ganhar uma eleição. Ao analisar boa parte dos prefeitos eleitos em nosso país, inclusive os muito bem votados, podemos constatar que, em grande medida, a maioria elegeu-se também por conta de sua marca e identidade pessoal na vida pública. Daí a imaginar que, se não preponderante, a marca e a identidade pessoal são um grande “plus” para quem deseja ganhar uma eleição.
Nei Alberto Pies, professor e ativista de direitos humanos.

DIA DO EDUCADOR...

Ser professor, por ofício.
É muito natural que um filho aprenda a trabalhar ajudando o pai, com este a seu lado. Há muitas profissões e ofícios – digníssimos e necessários – que não se aprendem nos livros. A vida está cheia de tarefas que apenas se aprendem quando se trabalha nelas. (Paulo Geraldo)

Educar não é uma tarefa simples, mas um ofício que vamos aperfeiçoando ao longo de nossa vida profissional. O tempo que atuamos como professor, em sala de aula, nos garante certa experiência, mas é certo que, como ofício, educar sempre é um processo de permanente construção. Às vezes, determinadas experiências pedagógicas exitosas ou marcantes acabam imprimindo caráter de perpetuação de nosso jeito de ensinar. Por isso mesmo, sempre é importante separar, para compreender, os “ossos de nosso ofício” da dureza da realidade em que estamos a atuar, em nossas escolas. E semear esperança.
O dicionário de língua portuguesa define ofício como sendo “qualquer atividade especializada de trabalho; profissão; emprego; meio de vida”. Definir a especificidade de nosso ofício nem sempre é fácil, uma vez que o “produto” de nossos investimentos são as pessoas. O que define as pessoas é a capacidade de criar, de pensar e sua condição de liberdade. Certo é que nem sempre os conhecimentos que julgamos importantes batem com as necessidades, desejos e angústias das nossas crianças, adolescentes, jovens ou adultos. E nem sempre nos sentimos preparados para contornar os embaraços que estas situações provocam em nossa sala de aula.
De acordo com o que reza nossa Constituição, “a educação, direito de todos e dever do estado e da família, visa o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Os conceitos são abstratos, mas fundamentais para compreendermos o sentido de nosso ofício de educar. Trata-se de compreender que a educação invoca a integralidade, envolvendo todas as dimensões do ser humano. Neste sentido, educar significa construir as possibilidades de nos humanizar, de nos fazermos gente, sempre e em todo lugar.
Quem de nós trocaria de profissão? A maioria não trocaria, apesar de admitir a dificuldade de educar numa sociedade que educa na contramão da escola. Já a questão da realização pessoal de cada um e cada uma na escola tem a ver com as expectativas que construiu ao assumir a educação, como também com o grau de frustrações que acumulou ao longo de nossa vida profissional. Nem a escola e nem a família, sozinhas, mudarão o mundo se o mundo não decidir que é preciso mudar. Por isso mesmo, enquanto esta consciência coletiva não for majoritária na sociedade, nosso ofício de educar continuará árduo e penoso, não reconhecido.
O saudoso e querido educador Paulo Freire, ao se referir ao dia do professor, lembrou que “a data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas
“galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”. Sejamos, pois, sempre portadores e agentes da esperança. E nos mantenhamos sempre dispostos a aperfeiçoar o ofício de ensinar pelo qual doamos uma vida toda.

Nei Alberto Pies, professor e ativista de direitos humanos.