11 de abr de 2017

O conflito contemporâneo no Brasil na Reforma do Ensino Médio: conhecimento ou ignorância?

As disciplinas de filosofia, sociologia e história são importantes na compreensão do ser humano, consciente e conhecedor de si mesmo e, igualmente, inserido em seu contexto social. Com a Reforma do Ensino Médio, serão optativas, correndo risco de não mais serem estudadas.
Quando filosofia e sociologia voltaram ao currículo das escolas de ensino médio, em 2007, escrevi e publiquei artigo com o título: Filosofia e sociologia: bem-vindas. Agora, passados 10 anos, o governo federal aprova uma famigerada e controversa Reforma do Ensino Médio que, dentre outras coisas, preconiza que estudantes façam escolhas do seu currículo para sua formação.
Estabelece-se um dos conflitos mais significativos neste contexto contemporâneo entre o conhecimento e a ignorância. Disciplinas como História, Filosofia, Sociologia, dentre outras, deixarão de ser obrigatórias e de livre escolha dos estudantes, em função do currículo em que optarem estudar.
Transcrevo aqui texto referido. O texto trata de elementos importantes para justificar a presença destas disciplinas no Ensino Médio.
[quote_box_center]
Filosofia e sociologia: bem-vindas!
“Numa espécie de “revolução silenciosa”, construída através da garra de estudantes, professores e mestres da educação, a filosofia e a sociologia retornam aos nossos currículos escolares, em 2007, em mais de 23 mil escolas de ensino médio em nosso país, através de uma Resolução do Conselho Nacional de Educação.
Bem-vindas! As suas contribuições, para além do esforço de uma formação mais integral e integradora, nos fazem crer que ainda há tempo para sermos menos céticos, mais críticos, mais atentos, mais cidadãos e cidadãs, com mais atitude, mais compreensivos, mais tolerantes, mais humanos e felizes, mais gente.
As disciplinas de filosofia, sociologia e história são importantes ferramentas para auxiliar na compreensão do ser humano, consciente e conhecedor de si mesmo e, igualmente, inserido em seu contexto social.
Temos insistido, em nossa prática cotidiana de sala de aula, na ideia de que pensar bem, como acreditavam os gregos, nos faz viver melhor. Pensar é algo inerente ao ser humano mas, estranhamente, explícita ou de forma silenciosa, muitos professam seu descrédito no pensar.
Desistindo de pensar, abrimos mão de conduzir nossos próprios rumos, uma vez que não pensar significa ser pensado pelos outros. Não se assumir, em pensamentos e ações, é também diminuir-se como ser humano.
Eu e os outros: sempre em relação
Outra percepção em nossos dias atuais é a grande dificuldade de convivência social. Vivemos permanentemente o conflito de nossas diferenças, a tensão de sermos, ao mesmo tempo, indivíduos e sociedade. Neste sentido, a sociologia, para alé de nos ajudar a compreender os fenômenos sociais, poderá nos ajudar a compreender os fenômenos sociais, poderá nos ajudar a constituir e reconhecer novos valores e parâmetros de convivência.
Viver é con-viver, é tolerar, é respeitar, é somar diferenças, é sentir-se parte de uma determinada cultura que se inova e renova constantemente.
Em tempos que somos regidos pela velocidade das informações e do conhecimento, carecemos de habilidades de interpretação e compreensão do mundo. Compreendendo melhor o mundo, ampliam-se nossas oportunidades de nele intervir e com ele colaborar.
O que pode nos mudar são nossas atitudes!
Do conformismo para uma vida social mais ativa, seremos capazes de compreender o alerta de Bertold Brecht: “não diga nunca: isto é natural para que nada passe a ser imutável”.
[/quote_box_center]

Repercussões sobre Reforma do Ensino Médio de 2017
Especialistas e estudiosos da educação levantam uma série de críticas e ponderações sobre a implantação de um novo Ensino Médio no Brasil. Para além da falta de infraestrutura nas escolas para implantar turno integral e aumento de horas aula, a falta de valorização dos educadores, a falta de qualificação dos professores e gestores (não houve tempo e nem interesse do governo federal em discutir a matéria), há também fortes críticas sobre a suposta maturidade dos jovens estudantes na escolha de suas disciplinas preferenciais em função de sua pretendida formação profissional. Veja mais sobre as principais mudanças curriculares com a nova proposta do Ensino Médio no Brasil.

Há, contudo, forte crítica que aponta a escola pública de Ensino Médio como escola para os pobres e trabalhadores (sem chances de cursarem faculdade), enquanto as escolas privadas continuariam preparando jovens estudantes de classe média e alta para o ensino superior.

[quote_box_center]
Flávio Tavares, jornalista e escritor trata a Reforma do Ensino Médio 2017 como “banalidade” ou “fatalidade”. “O aluno vai se ocupar sem ocupar a cabeça! O ensino da biologia, História e geografia não será obrigatório e já antevejo a meninada (por ignorar o que não aprenderam) pensando que célula é a da telefonia celular. Ou que Colombo, ao descobrir o Brasil, aqui encontrou Napoleão e, logo, proclamou a República…” Veja mais.
[/quote_box_center]
[quote_box_center]
Márcio Tascheto da Silva, doutor e Educação e coordenador da Divisão de Extensão da Universidade de Passo Fundo classifica como retrocesso a proposta da Reforma do Ensino Médio considerando a gestão democrática (não houveram suficientes discussões com os envolvidos na educação), a divisão entre ensino técnico e o ensino propedêutico e a precarização da formação dos estudantes.
Para Márcio, “a flexibilização do currículo é um nome eufemístico para fazer uma separação muito clara entre uma escola que vai ser voltada mais para os pobres, com ensino profissionalizante e ligado diretamente ao mercado de trabalho – geralmente, em cargos de subemprego e determinados lugares da sociedade subalternos – e o outro ensino, que vai favorecer aos mais privilegiados, que podem ter uma preparação muito maior com relação à entrada em uma universidade”. Veja mais.
[/quote_box_center]
[quote_box_center]
Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, classifica a MP como uma volta ao passado, mas no sentido de retrocesso para a educação pública brasileira.
Ele afirma, dentre outras coisas, que “… há um retorno piorado ao que aconteceu na década de 1990. Inclusive porque o Paulo Renato já não era um especialista em educação, era um economista que gostava de educação, mas não entendia muito. O Mendonça Filho, muito aquém disso, é uma pessoa que não entende de nada. Veja mais.
[/quote_box_center]

Por que podemos afirmar que há conflito entre conhecimento e ignorância a partir da Reforma do Ensino Médio 2017 no Brasil?
A maioria dos especialistas da educação, estudiosos, gestores, professores e professoras concordam de que são necessárias mudanças no Ensino Médio no Brasil.
O Ensino Médio, como está hoje, é uma etapa da formação de jovens que nem sempre dialoga com suas perspectivas de futuro e com suas necessidades. Agora, propor uma mudança na educação considerada pelo Ministro da Educação “a mais estrutural das últimas décadas” sem dialogar com os sujeitos que fazem a educação só poderá significar a construção da ignorância.
Por outro lado, construir um currículo em que as disciplinas que dão aos estudantes uma forma mais ampla para que ele possa entender o mundo para identificar como poderá interferir nele (História, Filosofia, Sociologia, Geografia) passam a ser optativas significa projetar uma educação cuja função principal será a “alienação” dos sujeitos aprendentes.
Muito antes de escolher sua profissão, o jovem estudante deveria ter o direito de conhecer o mundo do trabalho e as oportunidades profissionais que o mesmo poderá buscar para si. Deveria, também, ter o direito de direcionar os seus estudos a partir de suas habilidades e necessidades, sem abrir mão dos conhecimentos universais e fundantes da nossa civilização.
Não podemos abrir mão dos conteúdos básicos da formação da cidadania em troca de uma formação profissional incipiente, incompleta e enganadora, como será o Novo Ensino Médio no Brasil. Como afirma Flávio Tavares, “expedir certificados de conclusão de curso ou diplomas não é educar, mas mistificar, transformando o ensino em supermercado e enganando a sociedade”.
Nei Alberto Pies, professor, escritor e ativista de direitos humanos.
Mais artigos e crônicas no site www.neipies.com

30 de jan de 2017

Introdução à história da filosofia em filmes

Introdução à história da filosofia em filmes


Guerra de Troia, 1961
https://www.youtube.com/watch?v=TUMqMVoOHpE

Troia
https://www.youtube.com/watch?v=7JdpiEl_Kws

Helena de Troia
https://www.youtube.com/watch?v=1A8Q66h3ldc

Helena de Troia II
https://www.youtube.com/watch?v=D9VIsrFXi9M

Odisseia
https://www.youtube.com/watch?v=W17HqMwtfFE

As Bacantes
https://www.youtube.com/watch?v=LInR5MozrsE

Édipo Rei, de Bini
https://www.youtube.com/watch?v=QpCFRcX4dQg

Antigona
https://www.youtube.com/watch?v=JF37H4zWR8w

Medea, de Pasolini
https://www.youtube.com/watch?v=Rw1We4Plsjk

Medea, de Lars von Trier
https://www.youtube.com/watch?v=Hh0dlH_IQdk

Sócrates , de Rossellini
https://www.youtube.com/watch?v=SlJSF-V6yBA

Alexandre o grande
https://www.youtube.com/watch?v=MMevKYix-O8

Alexandre o grande, 1956
https://www.youtube.com/watch?v=mogbVyygy1k

Paulo de Tarso
https://www.youtube.com/watch?v=8Pwv2J-bxxU

Gladiador
https://www.youtube.com/watch?v=LInXqCtWvgE

Nero
https://www.youtube.com/watch?v=jWFG6JZfUbg


Santo Agostinho
https://www.youtube.com/watch?v=am3et8aV4ec

Santo Agostinho II
https://www.youtube.com/watch?v=CtylYNflsi8

Heloisa e Abelardo
https://www.youtube.com/watch?v=c20mqZUy2VA

Pompeia
https://www.youtube.com/watch?v=drTYHiWoyNU

Francisco de Assis
https://www.youtube.com/watch?v=XNKkGyUkfz8

Duns Scoto
https://www.youtube.com/watch?v=0fmJ4VtUOEU

O nome da rosa
https://www.youtube.com/watch?v=0pkxwsNat4Y

O poço e o pêndulo
https://www.youtube.com/watch?v=KLaKml78-Tk

São João da Cruz
https://www.youtube.com/watch?v=UKt-LDFz7W0

Santo Tomas
https://www.youtube.com/watch?v=nNfz8cLBAVM

Santo Tomas, de Beckt
https://www.youtube.com/watch?v=Gi-2CyojlEc

Decameron, Pasolini
https://www.youtube.com/watch?v=AdLjE0oMuDk

Lutero
https://www.youtube.com/watch?v=eezenm7Tlps

Lutero II
https://www.youtube.com/watch?v=F_V3yQu-1ck

Lutero, 1953
https://www.youtube.com/watch?v=fd4J-UATeUw

Caça de bruxas
https://www.youtube.com/watch?v=_hcjBDpxkjE

O grande inquisidor, Dostoievski
https://www.youtube.com/watch?v=0jl0uC5JbxE

Os Borgias
https://www.youtube.com/watch?v=EiXg4PaYPnc

A conquista do Paraíso
https://www.youtube.com/watch?v=tAekrGaHtiI

Aguirre
https://www.youtube.com/watch?v=weuYp-XFxAo

Galileu
https://www.youtube.com/watch?v=_w1I_2RsH-c

As aventuras do Barão de Muschhausen
https://www.youtube.com/watch?v=w8rkuFoJXAM

Descartes
https://www.youtube.com/watch?v=T9cq7G8hoAE&list=PLHV6lufvso3BvYHD1NzrystbdvJpxkaSB&index=20

As aventuras de Moliere
https://www.youtube.com/watch?v=FRd_xpoq5Fg

O absolutismo
https://www.youtube.com/watch?v=jmGq6jJONEI

Espinosa,
https://www.youtube.com/watch?v=pVpEcMqDbUc&list=PLHV6lufvso3BvYHD1NzrystbdvJpxkaSB

Pascal
https://www.youtube.com/watch?v=C3fhX3q0-SQ&index=14&list=PLHV6lufvso3BvYHD1NzrystbdvJpxkaSB

Os contos proibidos do Marques de Sade
https://www.youtube.com/watch?v=gBKLmwDMA4A

Justine e Juliette, de Sade
https://www.youtube.com/watch?v=rlVcWwH_F8Q

Marques de Sade
https://www.youtube.com/watch?v=s3suWVNBB3U

Maria Antonieta
https://www.youtube.com/watch?v=XnoZmPBysxI

Fausto
https://www.youtube.com/watch?v=lSoHFcTREio

Nietzsche, para além do bem e do mal
https://www.youtube.com/watch?v=60aEMtr97ug&list=PLHV6lufvso3BvYHD1NzrystbdvJpxkaSB&index=19

Dias de Nietzsche em Turim
https://www.youtube.com/watch?v=tGkWLwHWF8A&index=4&list=PLioXNQgudS86RCkUc5r3j_bccdtDiZpvt

Heidegger
https://www.youtube.com/watch?v=SuD1vJQxuYs

Rosa Luxemburgo
https://www.youtube.com/watch?v=wLAURi-Zx2c

1984
https://www.youtube.com/watch?v=bgPbGzJSkAw

O ovo da serpente
https://www.youtube.com/watch?v=rzHXemsxWao

Arquitetura da destruição
https://www.youtube.com/watch?v=dbn2wkECDp0

Sartre e Beauvoir
https://www.youtube.com/watch?v=6CS88ZX603A

Foucault
https://www.youtube.com/watch?v=Xkn31sjh4To

Foucault II
https://www.youtube.com/watch?v=FVKw8V-CgXk

Foucault e Chomsky
https://www.youtube.com/watch?v=9_HaHtcKG9c

Derrida
https://www.youtube.com/watch?v=3FYLoWf1cZ0

Derrida II
https://www.youtube.com/watch?v=bBx828VvTTc

Deleuze
https://www.youtube.com/watch?v=dXOzcexu7Ks

Deleuze II
https://www.youtube.com/watch?v=pva0ciKe0fo

Guattari
https://www.youtube.com/watch?v=pJ4FOFe-xuA

Hilary Putnam
https://www.youtube.com/watch?v=-1OESPPs68E

John Searle
https://www.youtube.com/watch?v=yCii726A4Jc

Daniel Dennett
https://www.youtube.com/watch?v=qQQ8IPHdezo

Ernesto Laclau
https://www.youtube.com/watch?v=nhEe0eec4yo&t=14s
https://www.youtube.com/watch?v=tO1q2GnzlKc

Ranciere
https://www.youtube.com/watch?v=8goj7F5Kty8