13/04/2012

FILOSOFIA: EXERCICIOS - PROVAS...CONCURSOS...

Prova e Gabarito - Professor de Filosofia - Secretaria de Estado de Educação - Rio de Janeiro - CEPERJ - 2011

31. Tales de Mileto afirmava que a água é a origem de todas as coisas. Friedrich Nietzsche, no fim do século XIX, considerou Tales, por conta dessa afirmativa, o primeiro filósofo, como se pode confirmar na passagem de A filosofia na época trágica dos gregos citada no volume da coleção Os pensadores dedicado aos pré-socráticos. Nietzsche considera que a razão pela qual Tales é o primeiro filósofo grego é que ele:
A) abandonou "o mito e as narrativas mágicas"
B) asseverou algo sobre "a origem das coisas"
C) afirmou implicitamente que "tudo é um"
D) usou "métodos científicos" de abordagem
E) preservou "a experiência empírica" ao pensar

32. O embate entre sofistas e filósofos na antiguidade grega é um tema central quando se discute a origem do pensamento ocidental. No capítulo "Pré-socráticos: físicos e sofistas", contido no livro Curso de filosofi a, organizado por Antonio Rezende, Maura Iglésias explica que, ao tempo da velhice de Sócrates, surgiram sofistas que se especializaram em uma técnica de disputa verbal que, ao contrário da dialética socrática, não pretendia alcançar conhecimento algum. De acordo com a autora, essa técnica sofística que visava a refutar o adversário a qualquer custo e ganhar a disputa chama-se:
A) erística
B) maiêutica
C) ironia
D) catarse
E) dialética ascendente

33. No "Livro X" do diálogo de Platão A República, o personagem Sócrates empreende uma investigação da poesia tendo em vista a teoria das ideias. Ao discutir os diferentes tipos de produção a partir do exemplo do "leito", Sócrates afirma que Deus fez um único leito, que é "o leito essencial". Ele explica (597c), ainda, que, na hipótese de que Deus houvesse feito dois leitos, de pronto:
A) surgiria um terceiro, somando-se às ideias dos dois primeiros, passando a existir três leitos essenciais
B) surgiria um terceiro, em cuja ideia os dois primeiros teriam de incluir-se, passando este outro a ser o leito essencial
C) surgiria um terceiro, um quarto, um quinto, e assim indefinidamente, aproximando-se cada vez mais do essencial
D) não haveria mais o leito essencial, passando a existir apenas leitos determinados produzidos pelo carpinteiro
E) não haveria mais o leito essencial, passando a existir apenas simulacros de leitos produzidos pelo pintor

34. Na sua Física, Aristóteles apresenta a famosa doutrina das causas. Conforme explica Maria do Carmo Bettencourt de Faria, no artigo O realismo aristotélico presente na coletânea Curso de filosofia organizada por Antonio Rezende, as causas do ser tal como formuladas por Aristóteles são no total:
A) duas: material e final
B) três: material, formal e eficiente
C) três: material, eficiente e final
D) três: formal, eficiente e final
E) quatro: material, formal, eficiente e final

35. Segundo Marilena Chauí, em Convite à filosofia, a religião cristã introduziu duas diferenças fundamentais no que até então era a concepção ética antiga prevalecente. De acordo com a autora, essas duas diferenças instauradas pelo cristianismo estavam nas ideias de que:
A) a virtude se define por nossa relação com Deus e não com a cidade nem com os outros; e de que temos vontade livre, sendo o primeiro impulso de nossa liberdade dirigido para o mal
B) a virtude se define por nossa relação com Deus e, ao mesmo tempo, com a cidade e os outros; e de que temos vontade livre, sendo o primeiro impulso de nossa liberdade dirigido para o mal
C) a virtude se define por nossa relação com Deus e não com a cidade nem com os outros; e de que temos vontade livre, sendo o primeiro impulso de nossa liberdade dirigido para o bem
D) a virtude se define por nossa relação com Deus e, ao mesmo tempo, com a cidade e os outros; e de que temos vontade livre, sendo o primeiro impulso de nossa liberdade dirigido para o bem
E) a virtude se define por nossa relação com Deus e não com a cidade nem com os outros; e de que não temos vontade livre, pois o impulso de nossa liberdade é dirigido por Deus

36. De acordo com Leandro Konder, em Filosofia e educação: de Sócrates a Habermas, foi por ter consciência de que seu tema era muito abrangente e por estar atento à mudança constante do real, que Michel de Montaigne teria inventado, no século XVI, o gênero do:
A) aforismo
B) tratado
C) sistema
D) ensaio
E) sermão

37. Em suas Meditações, René Descartes empreende um método argumentativo que lhe permite questionar todo o conhecimento adquirido, na busca por se esvaziar de todas as opiniões e crenças para, a partir daí, estabelecer algo firme e constante nas ciências. Tal método cartesiano implica uma ordem necessária na apresentação de seus argumentos. É o que se vê na passagem da "Meditação Segunda" para a "Meditação Terceira", nas quais Descartes prova antes a existência:
A) de Deus, e depois a existência do ser pensante
B) do ser pensante, e depois a existência de Deus
C) do gênio maligno, e depois a existência de Deus
D) de Deus, e depois a existência do gênio maligno
E) dos sentidos, e depois a existência do ser pensante

38. Em sua Ética, Spinoza explora o importante tema da servidão, especialmente na quarta parte do livro. Já na primeira frase dessa quarta parte da Ética, Spinoza esclarece o que entende por servidão, que é então definida como impotência:

A) divina para organizar e gerenciar os afetos
B) divina para organizar e gerenciar as razões
C) humana para regular e refrear os afetos
D) humana para regular e refrear as razões
E) humana para aniquilar e exterminar os afetos

39. Em sua Investigação acerca do entendimento humano, David Hume fala daquele que considera ser "o único princípio que torna útil nossa experiência e nos faz esperar, no futuro, uma série de eventos semelhantes àqueles que apareceram no passado". Segundo Hume, esse princípio, que seria o grande guia da vida humana, é:
A) a fé
B) a razão
C) a imaginação
D) o costume
E) o entendimento

40. "Por síntese entendo, no sentido mais amplo, a ação de acrescentar diversas representações umas às outras e de conceber a sua multiplicidade num conhecimento", afirma Immanuel Kant em sua Crítica da razão pura. Tal síntese seria efeito da faculdade da imaginação, mas reportar essa síntese a conceitos, segundo Kant, é uma função que cabe:
A) ao costume
B) ao entendimento
C) à fé
D) à intuição
E) à sensibilidade

41. Na Crítica da faculdade do juízo, Immanuel Kant afirma que a faculdade do juízo em geral consiste em pensar o particular como contido no universal. Mas ele distingue duas maneiras como isso pode ocorrer. Em um primeiro caso, o universal (a regra, o princípio, a lei) é dado. Em um segundo caso, apenas o particular é dado, e a faculdade do juízo deverá encontrar o universal. Segundo Kant, no primeiro e no segundo casos têm-se, respectivamente, juízos:
A) teóricos e práticos
B) determinantes e reflexivos
C) estéticos e teleológicos
D) intuitivos e transcendentais
E) morais e cognitivos

42. Nos seus conhecidos Cursos de estética I, oferecidos no começo do século XIX, Hegel expõe a posição que a arte possui dentro de seu sistema filosófico. Para tanto, explica também em que, para ele, consistiria o estatuto ontológico da obra de arte. Nesse sentido, Hegel afirma que a obra de arte situa-se:
A) abaixo da sensibilidade imediata e muito distante do pensamento ideal
B) junto da sensibilidade imediata e distante do pensamento ideal
C) justamente entre a sensibilidade imediata e o pensamento ideal
D) junto do pensamento ideal e distante da sensibilidade imediata
E) acima tanto da sensibilidade imediata quanto do pensamento ideal

43. No terceiro de seus escritos juvenis de cunho crítico intitulados como "intempestivos", Friedrich Nietzsche tratou especificamente do tema da educação. Na "III Consideração intempestiva: Schopenhauer educador", Nietzsche declara que deve ser o objetivo da cultura o engendramento:
A) do gênio
B) do filisteu
C) do erudito
D) do funcionário
E) da opinião pública

44. Ludwig Wittgenstein, no Tractatus Lógico-Philosophicus, apresenta uma série de erros e de confusões que ocorrem no emprego mais cotidiano da linguagem. "Para evitar esses equívocos, devemos empregar uma notação que os exclua, não empregando o mesmo sinal em símbolos diferentes e não empregando superficialmente da mesma maneira sinais que designem de maneiras diferentes". Tal notação que Wittgenstein procura como solução para os problemas da linguagem teria, em seu centro, a obediência:
A) ao verso livre da poesia
B) ao método cartesiano
C) à informática computacional
D) à argumentação escolástica
E) à gramática lógica

45. Na Introdução de Ser e tempo, Martin Heidegger logo estabelece que a sua investigação sobre a questão do ser seguirá o método fenomenológico. Pela expressão "fenomenologia", Heidegger entende um conceito de método que:
A) não caracteriza os objetos da investigação filosófica, mas a quididade real dos seus sujeitos, quem eles são.
B) caracteriza a quididade real dos objetos da investigação filosófica, mas não o seu modo, como eles o são.
C) não caracteriza a quididade real dos objetos da investigação filosófica nem o seu modo, como eles o são.
D) caracteriza tanto a quididade real dos objetos da investigação filosófica quanto o seu modo, como eles o são.
E) não caracteriza a quididade real dos objetos da investigação filosófica, mas o seu modo, como eles o são.

46. Jean-Paul Sartre, no texto "O existencialismo é um humanismo", busca defender sua posição filosófica de diversas críticas. "Assim respondemos, creio eu, a um certo número de censuras referentes ao existencialismo", escreve. Tal defesa, bastante contundente, ocorre tendo por base a definição do homem:
A) pela religiosidade
B) pelo quietismo
C) pelo pessimismo
D) pela ação
E) pela tradição

47. No ensaio da década de trinta "O narrador", Walter Benjamin faz uma aguda análise de sua época ao constatar que, depois da Primeira Guerra Mundial, os combatentes voltavam silenciosos do campo de batalha. No início desse texto, Benjamin declara que o que ele chamou de "experiência":
A) subiu na cotação, e a impressão é que prosseguirá nessa subida indefinidamente
B) subiu na cotação, e a impressão é que prosseguirá nessa subida até que sofra uma queda brusca
C) variou entre subidas e descidas, e a impressão é que se estabilizará na cotação
D) caiu na cotação, e a impressão é que prosseguirá nessa queda interminável.
E) caiu na cotação, e a impressão é que prosseguirá nessa queda até que retome o crescimento

48. Em meados do século XX, Max Horkheimer e Theodor Adorno trataram, juntos, do "Conceito de iluminismo". Foram eles que cunharam a famosa sentença segundo a qual o iluminismo é:
A) totalitário
B) democrático
C) um humanismo
D) a saída da menoridade
E) liberdade, igualdade e fraternidade

49. Em A condição humana, Hannah Arendt elabora uma importante distinção entre os âmbitos da "ação" e da "fabricação". De acordo com a autora, enquanto na fabricação há uma relação instrumental com as coisas determinada pela categoria de meios e fins, a ação desencadeia um processo marcado:
A) apenas pela previsibilidade, mas não pela irreversibilidade
B) apenas pela irreversibilidade, mas não pela imprevisibilidade
C) apenas pela imprevisibilidade, mas não pela irreversibilidade
D) tanto pela reversibilidade quanto pela previsibilidade
E) tanto pela irreversibilidade quanto pela imprevisibilidade

50. Gilles Deleuze, a certa altura de O que é a filosofia?, observa que, no começo, os conceitos filosóficos são e permanecem assinados. Ele, então, dá alguns exemplos. Entre os exemplos citados por Deleuze de conceitos assinados estão:
A) a substância, de Aristóteles; a mônada, de Leibniz; a duração, de Bergson
B) a substância, de Platão; a mônada, de Leibniz; a duração, de Bergson
C) a substância, de Aristóteles; a potência, de Leibniz; a duração, de Bergson
D) a substância, de Aristóteles; a mônada, de Leibniz; a potência, de Bergson
E) a ideia, de Platão; a potência, de Leibniz; a mônada, de Bergson

GABARITO:
31-C
32-A
33-B
34-E
35-A
36-D
37-B
38-C
39-D
40-B
41-B
42-C
43-A
44-E
45-E
46-D
47-D
48-A




Prova e Gabarito - Professor de Filosofia - Secretaria de Educação - Prefeitura Municipal de São José - SC - FAEPESUL

PROVA DE FILOSOFIA

31. Mestres ilustres da retórica, Górgias, Protágoras, Pródicos, Hípias e Arquidamos, são conhecidos na história da Filosofia como Sofistas. Aparentemente, as lições destes são consideradas um enciclopedismo vago e engenhoso, isto porque:
A. contribuíram para a subversão da ordem social, econômica e religiosa da Grécia, apresentando argumentações contrárias ao governo;
B. suas teorias eram insustentáveis e baseadas, fundamentalmente, na prática da dialética e no exercício da democracia plena;
C. graças às técnicas da linguagem que utilizavam, eles podiam defender sua posição, independência e honra nas Cidades gregas;
D. não possuíam outro programa que não fosse ensinar aos alunos a falar bem de tudo e de não importar o quê, e de defender com persuasão, não importando a causa;
E. faziam valer os princípios que fundaram o regime democrático grego, estabelecendo assim a eficácia do saber das correntes sofísticas.

32. Felicidade é o tema do Livro I da "Ética a Nicômaco", de Aristóteles. Segundo o filósofo, a felicidade é um bem supremo para o qual todas as ações dos homens tendem; a felicidade é a causa final do ser humano. Porém, ela é atingida quando está de acordo com a atividade racional que o conduzirá para a prática da virtude. Para Aristóteles, a virtude consiste na:
A. prática do amor.
B. relação de amizade.
C. vontade obsessiva.
D. sensação de prazer.

E. justa medida de equilíbrio.

33. Considerado o verdadeiro fundador da escolástica medieval, Santo Anselmo retoma o projeto Agostiniano de compreender com a razão as verdadeiras revelações. O seu lema e que exprime adequadamente esse enfoque é:
A. "A fé na busca da compreensão" (FIDES QUAERENS INTELLECTUM).
B. "Penso logo existo" (COGITO ERGO SUM).
C. "A suma felicidade do homem encontra-se na contemplação da verdade" (ULTIMA HOMINIS FELICITAS EST IN CONTEMPLALIONE VENTATES).
D. "O homem é o lobo do homem" (HOMO HOMINI LUPUS).
E. "O amor por principio, à ordem por base, e o progresso por fim" (L?AMOUR POUR PRINCIPE, I ?ORDRE POUR BASE, LE PROGRÉS POUR BUT).

34. Pretendendo estabelecer um método universal, inspirado no rigor da matemática e no encadeamento racional, René Descartes elabora quatros regras fundamental, são elas:
A. contradição, análise, evidência e desmembramento.
B. evidência, análise, síntese e desmembramento.
C. matemática, ordem, intuição e evidência.
D. análise, dedução, intuição, e evidência.
E. verificação, análise, intuição e síntese.

35. O existencialismo teve grande influência na filosofia moderna, tendo como objeto de estudo reflexões antropológicas, sobre a maneira de ser do ser humano e sua individualidade. A existência do Ser Humano é que define a sua essência, o homem é que se faz em sua existência. O filósofo mais expressivo da corrente existencialista é:
A. Friedrich Nietzsche.
B. Michel Foucault.
C. Ludwig Wittgenstein.
D. Immanuel Kant.
E. Jean Paul Sartre.
36. Após o período da Revolução Industrial começou-se a detectar graves problemas ambientais, resultantes do funcionamento inapropriado das grandes indústrias, afetando sensivelmente a qualidade de vida e dos recursos naturais existentes. Uma das principais causas da deterioração do meio ambiente é o individualismo, a alienação e a falta de compromisso do homem com o meio em que ele vive. Karl Marx utiliza o termo alienação para designar:
A. o processo em que os indivíduos contribuem com as suas potencialidades, com os objetos por eles criados.
B. a criatividade humana em produzir cultura através da arte, materiais inéditos e conhecimento.
C. as relações humanas de consumo, lazer e relações sócio-afetivas, como o amor e a felicidade.
D. a venda do trabalho humano como mercadoria, tornando o homem escravo do capitalismo.
E. o isolamento do individuo na sociedade, impossibilitado de interagir com o meio ambiente em que vive.

37. Durante um longo período da história medieval, Deus foi o ponto de toda a cultura e das atenções da arte. No Renascimento, o eixo se desloca para o homem: o homem como centro do universo. Nesse clima, em que impera o humanismo, surge a Renascença. Leonardo da Vinci - autêntico representante desse período - concebe a arte como uma recriação da natureza, que exige conhecimentos científicos e sistematizados, revelando conhecimentos de física e matemática aplicadas à arte. A arte renascentista é caracterizada como:
A. uma visão política do mundo, criando uma ligação entre a arte e a crítica, ressaltando o ponto de vista negativo e do homem.
B. a imitação da realidade, utilizando-se de conhecimentos científicos, recursos técnicos e estéticos do que se vê do mundo.
C. criação e libertação das simetrias e das formas pré determinadas, além da luminosidade e do movimento.
D. a contemplação da perfeição, do belo e da sabedoria divina, em que o artista valoriza a beleza, a verdade e as paixões.
E. uma tensão social e intelectual do liberalismo vigente, fala-se e descreve-se sobre religião, política e burguesia.

38. Atualmente, a Grécia estampa grandes manchetes dos jornais mundiais, isto porque o país atravessa uma grave crise econômica devido ao acúmulo de dívidas internacionais. O povo grego vai às ruas protestar as medidas de austeridade, impostas pelo governo, protagonizando assim cenários de intensas manifestações políticas e sociais. Na obra "Contrato Social", de Jean Jacques Rousseau, o filósofo exprime a necessidade de harmonia entre cidadãos e governo, estabelecendo-se um pacto social. O pensamento central sobre o pacto social é:
A. O oferecimento da educação sistemática, como ação do individuo, e desenvolvimento cultural e econômico da sociedade.
B. a autonomia do governante sobre a sociedade, cabendo exclusivamente ao governante o poder e decisão política no Estado.
C. a submissão à vontade geral, onde a vontade particular e individual é substituída pelo interesse coletivo em prol de um bem comum.
D. o desenvolvimento econômico, devido às desigualdades sociais e conflitos entre exploradores e explorados do estado liberal.
E. o estabelecimento da teoria do direito divino dos reis, onde cabe a manutenção de uma autoridade soberana sobre o Estado.

39. A Filosofia possui uma característica peculiar que é compreender o mundo e agir sobre ele. Forma-se um corpo de conhecimentos para dar sentido ao mundo e desvendar a realidade. Desenvolver uma consciência critica é, por excelência, uma das essências da Filosofia, que também tem uma relação direta com a:
A. religião.
B. reflexão.
C. reminiscência.
D. revelação.
E. refutação.

40. Principal herdeiro do positivismo lógico e um dos mais influentes filósofos da ciência da segunda metade do século XX, ele criticou o critério de verificabilidade ou verificação cientifica e formulou uma teoria onde a única

possibilidade de aquisição do saber cientifico é o critério da refutabilidade ou da falseabilidade, em que uma teoria cientifica é válida na medida em que suas proporções podem ser empiricamente falsificáveis através de experimentos, teses e observações, o que permite que se autocorrijam e se desenvolvam na direção de uma verdade objetiva, afastando-se assim das teses irrefutáveis e dogmáticas. Estamos falando do filósofo:
A. Hans Hahn.
B. Walter Benjamim.
C. Karl Popper.
D. Theodor Adorno.
E. Jurgen Habermas.

GABARITO:
31-D
32-E
33-A
34-A
35-E
36-D
37-B
38-C
39-B
40-C



CONCURSOS – 2011
Prova e Gabarito - Professor de Filosofia - Município de Lucas do Rio Verde - MT – MS


21. Dentre as teorias contemporâneas de aprendizagem, destaca-se a que implica em estudar cientificamente a aprendizagem como um produto resultante do ambiente, das pessoas ou de fatores externos a elas. Preocupa-se em como as pessoas lidam com estímulos ambientais, organizam dados, sentem e resolvem problemas, adquirem conceitos e empregam símbolos. Esse pressuposto refere-se à teoria:
a) Associacionista.
b) Comportamentalista.
c) Cognitivista.
d) Humanista.

22. Na teoria sociointeracionista, a criança aprende e se desenvolve a partir do contato com o meio em que vive e com as pessoas de seu convívio. Para Vigotsky, o funcionamento psicológico estrutura-se a partir das relações sociais estabelecidas entre a criança e o mundo exterior. Nesta perspectiva, o papel do professor é:
a) Ser o responsável pela realização das atividades educativas em grupo que estimulem a uniformidade.
b) Ser mediador das relações sociais, na qual a linguagem ocupa papel central no desenvolvimento da criança.
c) Aplicar o currículo e desenvolver técnicas e estratégias de comunicação com intencionalidade educativa.
d) Preocupar-se em ensinar as normas de comportamentos preestabelecidos socialmente.

23. A LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96, em seu Artigo 24, inciso V, estabelece que a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios:
a) Avaliação contínua com obrigatoriedade de recuperação.
b) Avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno.
c) Avaliação cumulativa prevalecendo os aspectos quantitativos dos resultados ao longo do período letivo.
d) Avaliação cumulativa com possibilidade de avanço nos cursos e nas séries.

24. Dentre as práticas pedagógicas encontra-se a avaliação do processo ensino e aprendizagem. De acordo com Bloom (1993), há três tipos de avaliação: diagnóstica, formativa e somativa. Assinale a afirmativa CORRETA:
a) A avaliação somativa tem como função replanejar os conteúdos de ensino.
b) A avaliação diagnóstica aplica-se especificamente no início do ano letivo.
c) A avaliaçaõ somativa permite aperfeiçoar as aprendizagens em curso sem a preocupação de classificar.
d) A avaliação formativa tem função controladora, orientadora e motivadora.

25. De acordo com Libâneo, o planejamento é um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto escolar. Para que os planos sejam efetivamente instrumentos para a ação, devem ser como um guia de orientação e devem:
a) Apresentar ordem sequencial, objetividade, coerência e flexibilidade.
b) Apresentar objetividade, ordem sequencial e avaliação.
c) Assegurar a elaboração e transmissão dos conteúdos.
d) Prever objetivos e conteúdos independentes das condições socioculturais dos alunos.

26. Como afirma Libâneo (1994, p. 225), "O planejamento não assegura, por si só, o andamento do processo de ensino". O importante é que o planejamento sirva para o professor e para os alunos, que ele seja útil e funcional a quem se destina objetivamente, através de uma ação consciente, responsável e libertadora. Os elementos fundamentais para a elaboração do plano de aula são:
a) Objetivos, conteúdos, exequibilidade e avaliação.
b) Objetivos, conteúdos, intencionalidade e avaliação.
c) Objetivos, conteúdos, estratégias e avaliação.
d) Objetivos, atividades, recursos e avaliação.

27. Assenta-se nos princípios da Pedagogia Progressista mais valor à relação professor/aluno, na qual "educador e educandos são sujeitos do ato de conhecimento, eliminando-se toda atitude de autoritarismo". De acordo com essa concepção, ao professor cabe:
a) Administrar as condições de transmissão dos conteúdos e mediar os conflitos de relacionamentos entre os alunos.
b) Selecionar, organizar os conteúdos e os métodos de aprendizagem, participação e memorização.
c) Propor conteúdos e métodos compatíveis com as experiências dos alunos, mobilizando-os para uma participação ativa.
d) Ser apenas um elo entre o conhecimento e o aluno, mediando os problemas de relacionamento que interferem no processo de ensino e aprendizagem.

28. A avaliação escolar desenvolve-se nos diferentes momentos do processo ensino e aprendizagem. Na perspectiva de uma avaliação mediadora, as práticas avaliativas:
a) Fundamentam-se em dados quantitativos a partir das respostas apresentadas pelos alunos nas atividades propostas.
b) Baseiam-se em formas padronizadas de instrumentos avaliativos como: tarefas, exercícios, provas e testes.
c) Devem ser parciais tendo em vista a capacidade de memorização dos alunos.
d) Exigem a observação individual de cada aluno, atenta ao seu momento no processo de construção do conhecimento.

29. Saviani (2005), seguindo a lógica da teoria dialética de elaboração do conhecimento científico, explicita o movimento do pensamento em três grandes momentos: ao momento de afirmação, ou seja, o momento de explicitar a visão de conjunto do todo; o momento de mediação, de negação da visão inicial e o momento em que se estabelece uma nova totalidade, concreta, caracterizada por novas relações e determinações. Esses momentos denominam-se, respectivamente:
a) Síncrese, análise e síntese.
b) Análise, intervenção e síntese.
c) Análise, mediação e síntese.
d) Teorização, análise e síntese.

30. "[...] o professor com autoridade é também aquele que deixa transparecer as razões pelas quais a exerce: não por prazer, não por capricho, nem mesmo por interesses pessoais, mas por um compromisso genuíno com o processo pedagógico, ou seja, com a construção de sujeitos que, conhecendo a realidade, disponha-se a modificá-la em consonância com um projeto comum". (Vasconcellos, 1995, p. 44). Nesse sentido, a educação escolar por meio da autoridade e da disciplina deve:
a) Apostar na liberdade e permissividade dos alunos.
b) Despertar no aluno o senso de cidadania, de igualdade, de justiça, de direitos e deveres.
c) Estabelecer um conjunto de regras e valores que delimitam a liberdade.
d) Ter como base de poder disciplinar o currículo, elemento fundamental na organização pedagógica.

31. A ética ativa em nós a capacidade de pensar; ela nos leva a agir; tem a potencialidade de religar-nos aos outros; desdobra-se em diálogo; requer compromisso. Por outro lado, ela é vivida subjetivamente, pois cada pessoa busca garantir o espaço que lhe é próprio; por outro lado, leva-nos a descentrar-nos e desenvolver o altruísmo (AGOSTINI, Nilo - p.10, 2010). Entende-se por "altruísmo":
a) A disposição que inclina o ser humano a se dedicar aos outros.
b) A intervenção divina ou sobrenatural sobre as ações humanas.
c) A disposição para o egocentrismo.
d) A negação do apego, da veneração e da bondade humana.

32. As leituras na linha da pós-modernidade captam, por sua vez, o fracasso dos sistemas unitários e totalizantes dos grandes relatos ideológicos e passam a valorizar a diferença, o pluralismo, a relativização, a desconstrução, o dissenso e o diferindo. Colocam em cena e dão cidadania aos muitos estilos díspares, ao próprio de cada linguagem e formas de vida, à fruição instantânea. É como "dançar nos abismos" (Nietzsche). A afirmação da proposição em destaque, segundo Nilo Agostini, p. 15, 2010, significa:
a) Dançar diante da libertação ética e estética de novas possibilidades.
b) Que o projeto moderno não foi concluído e, além disso, contém uma utopia a se realizar.
c) A modernidade, enquanto movimento histórico-cultural, caracteriza-se pelas revoluções científica, política e cultural.
d) Buscar a unidade na ação e na razão comunicativa.

33. Para Sócrates a Ética é uma ciência e pode ser ensinada e que a consciência, uma vez esclarecida, conduz a vontade ao Bem; este não é senão o conjunto de proposições fruto do acordo entre o indivíduo consigo mesmo e com os outros (AGOSTINI, Nilo - p. 24, 2010). Assim, a educação dos cidadãos consiste, numa tarefa ética primordial. Essa tarefa (doutrina) da ética é chamada de:
a) Intelectualismo moral.
b) Maiêutica.
c) Ironia.
d) Virtude.

34. Aristóteles, longe do rigorismo moral de Platão, não dispensa nada desse mundo. A verdade não está fora desse mundo. Para ele, "o universo aparece como uma imensa hierarquia de planos da realidade subtendidos, orientados, "aspirados" por um movimento de conjunto em direção à Perfeição; todo indivíduo é duplo, composto de uma "matéria" (uma capacidade indefinida e confusa a transformar) e de uma "forma" (uma tendência à organização, à realização estruturada das qualidades potenciais da matéria). Numa escala de ascensão contínua chega-se aos níveis superiores, uma Forma das formas, identificada como Deus, o Bem ou o primeiro Motor, sendo o topo da pirâmide, o que ama sendo atraído pelo objeto amado" (AGOSTINI, Nilo - p. 28-29, 2010). Sabemos que os primeiros tratados de ética foram elaborados por Aristóteles. Assinale a alternativa que apresenta o tratado ético elaborado por Aristóteles:
a) Ética a Nicômaco.
b) Ética a Dianoética.
c) Ética a Diacômaco.
d) Ética a Nicômalo.

35. A felicidade, para Aristóteles, não corresponde à busca de riquezas, de honrarias, pois estas são apenas "meios". É, antes, fruto da busca do bem perfeito, desejado por si mesmo e não como meio, que torna o ser humano "autossuficiente". A palavra "felicidade" como meio para alcançar o Fim que desejamos por si mesmo é traduzida na filosofia aristotélica por:
a) Eudaimonia.
b) Experdise.
c) Eugenia.
d) Maiêutica.

36. À medida que o cristianismo transforma-se em religião oficial do Império Romano e passa a ser a referência principal para a sociedade, destaca-se a emergência da ética cristã. O predecessor das éticas medievais é:
a) Zenão de Cítio.
b) Boaventura de Bagnoregio.
c) Tomás de Aquino.
d) Agostinho de Tagaste.

37. Segundo Alfred N. Whitehead, "a história da filosofia moderna é a história do desenvolvimento do cartesianismo em seu duplo aspecto, de idealismo e de mecanicismo. Ou seja, o desenvolvimento da filosofia moderna avança à medida que desdobra as temáticas subjacentes à res cogitans e à res extensa" (AGOSTINI, Nilo - p. 42, 2010). Whitehead, ao referir-se à coisa pensante e a tudo que é extenso e divisível, está referindo-se a filosofia de:
a) Friedrich Nietzsche.
b) Immanuel Kant.
c) David Hume.
d) René Descartes.

38. Considerando as éticas da era da "consciência" (Nilo Agostini- p 41-50), relacione os seguintes filósofos aos pensamentos apresentados e defendidos por eles:
I - René Descartes.
II - David Hume.
III - Immanuel Kant.
IV - Friedrich Nietzsche.
( ) A razão humana é entendida como reta razão (bona mens), que pertence a todos os seres humanos, sendo esta a "a coisa mais bem distribuída no mundo".
( ) Refuta o racionalismo e funda seu pensamento na experiência sensível. Para ele, as paixões e os desejos são fontes diretas e imediatas das ações.
( ) A verdadeira moralidade supõe um verdadeiro respeito pelos valores que estão implícitos na obediência aos imperativos categóricos.
( ) Rejeita a possibilidade do juízo moral, pois toda moral é condicionada e particular, uma mera possibilidade histórica.
A sequência CORRETA é:
a) IV, II, III e I.
b) I, IV, II e III.
c) IV, III, II e I.
d) I, II, III e IV.

39. Não há como educar fora do mundo. Nenhum educador, nenhuma instituição educacional pode colocar-se à margem do mundo, encarapitando-se numa torre de marfim. A educação, de qualquer modo que a entendamos, sofrerá necessariamente o impacto dos problemas da realidade em que acontece, sob pena de não ser educação. Em função dos problemas existentes na realidade é que surgem os problemas educacionais, tanto mais complexos quanto mais incidem na educação todas as variáveis que determinam uma situação. Deste modo, a "Filosofia na educação" transforma-se em "Filosofia da Educação" enquanto reflexão rigorosa, radical e global ou de conjunto sobre os problemas educacionais. De fato, os problemas educacionais envolvem sempre os problemas da própria realidade. A Filosofia da Educação apenas não os considera em si mesmos, mas enquanto imbricados no contexto educativo. Não se pode encarar a educação a não ser como um que-fazer humano. Que-fazer, portanto, que ocorre no tempo e no espaço, entre os homens, uns com os outros. Disso, resulta que a consideração acerca da educação como um fenômeno humano nos envia a uma análise, ainda que sumária, do homem. A concepção humanista, que recusa os depósitos, a mera dissertação ou narração dos fragmentos isolados da realidade, realiza-se através de uma constante problematização do homemmundo. Seu que-fazer é problematizador, jamais dissertador ou depositor. A concepção humanista da educação é defendida por:
a) José Carlos Libâneo.
b) Antonio Joaquim Severino.
c) Carl Rogers.
d) Paulo Freire.

40. Analise as proposições das correntes filosóficas da educação:
I - Para Augusto Comte, o Positivismo é a última etapa da humanidade, que se elevou do "estágio teológico", no qual tudo se explicava de maneira mágica, e do "estágio metafísico", em que a explicação se contentava com palavras. A base teórica do positivismo apresenta três pontos: 1) Todo conhecimento do mundo material decorre dos dados "positivos" da experiência, e é somente a eles que o investigador deve se ater; 2) Existe um âmbito puramente formal, no qual se relacionam as ideias, que é o da lógica pura e o da matemática; e 3) Todo conhecimento dito "transcendente" ? a metafísica, a teologia e a especulação acrítica ? que se situe além de qualquer possibilidade de verificação prática, deverá ser descartado.
II - Concebe-se a fenomenologia como o estudo dos fenômenos em si mesmos, independentemente dos condicionamentos exteriores a eles, cuja finalidade é apreender sua essência que é a estrutura de sua significação. Na segunda metade do século XVIII, o filósofo Jean-Henri Lambert denominou a fenomenologia como a "teoria das aparências", para distinguir a aparência das coisas do que elas são em si mesmas; com Hegel, na Fenomenologia do Espírito (1807) "é a ciência da experiência que faz a consciência"; e Edmund Husserl, nas primeiras décadas do século XX, faz da fenomenologia uma meditação sobre o conhecimento, considerando que tudo que é dado à consciência é o fenômeno. Para ele, a consciência é intencional e não está fechada em si mesma, mas define-se como certa maneira de perceber o mundo e seus objetos.
III - O materialismo histórico é a aplicação da teoria de Karl Marx ao estudo da evolução histórica das sociedades humanas, pelas quais o modo de produção dos bens materiais condiciona a vida social, política e intelectual que, por sua vez, interage com a base material. Marx e Engels afirmam que a história de todas as sociedades do passado é a história da luta de classes. Nesse sentido, no decorrer do processo histórico, as relações econômicas evoluíram segundo uma contínua luta dialética entre os proprietários dos meios de produção e os trabalhadores espoliados e explorados.
IV - Para o pesquisador no materialismo histórico não há fechamentos e nem sistemas concluídos, pois estar no mundo é sempre interrogá-lo. Coloca-se em destaque as percepções dos sujeitos e, sobretudo, salienta-se o significado que os fenômenos têm para as pessoas. Assim, "o mundo não é aquilo que eu penso, mas aquilo que vivo, sou aberto ao mundo, comunico-me indubitavelmente com ele, mas não o possuo, ele é inesgotável".
Após a análise das proposições acima é CORRETO afirmar que:
a) Apenas a proposição I está incorreta.
b) Apenas a proposição II está incorreta.
c) Apenas a proposição III está incorreta.
d) Apenas a proposição IV está incorreta.

GABARITO:

21-C             31-A
22-B             32-A
23-B             33-A
24-D             34-A
25-A             35-A
26-C             36-D
27-C             37-D
28-D             38-D
29-A             39-D
30-B             40-D

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