5 de fev. de 2013

De tragédias e oportunidades - “A vida não é mais do que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver” (Gabriel Garcia Marquez)


De tragédias e oportunidades
“A vida não é mais do que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver” (Gabriel Garcia Marquez)
            São muitos os sentimentos, as conclusões e as expectativas geradas a partir da tragédia na Boate Kiss, em Santa Maria, no RS. A tragédia que já vitimou 237 jovens estudantes pode e deve servir para que a sociedade gaúcha e brasileira como uma oportunidade cidadã para cobrar maior segurança em todos os espaços públicos. É certo que não poderemos evitar todas as tragédias humanas, mas há tragédias que podem ser evitadas, em função dos riscos e as probabilidades das mesmas acontecerem. O que a cidadania não pode tolerar é que, ao que tudo indica, houve uma sequência de negligências que resultam nesta triste e dolorosa tragédia, negligências estas praticadas por órgãos públicos e por pessoas que colocaram como interesse maior o lucro e ganhos financeiros acima dos procedimentos de segurança.
            A comoção social é fator importante para impulsionarmos avanços de cidadania e direitos. O que pode parecer oportunismo é, na verdade, a grande oportunidade para exigir melhores condições de segurança para o entretenimento e cobrança de responsabilidades. Se a sociedade não se organiza para cobrar medidas efetivas agora, com certeza o tempo se encarregará do esquecimento. Se os jovens não cobrarem condições de segurança em todas as edificações que reúnem grandes públicos para o entretenimento e diversão, continuarão vulneráveis, como sempre, em sua segurança e proteção. Se os pais e mães não ampliarem o seu olhar de segurança sobre as escolas, os clubes, as praças, os ginásios, as ruas, as rodovias, o transporte público continuarão deixando seus filhos e filhas expostos a grandes riscos à sua vida e dignidade.
            Segurança tem de ser tratada como um problema público, garantindo a todos e a todas as condições de proteção e sobrevivência. Importa, então, que compreendamos a necessidade de termos mais segurança, em todos os aspectos, modos e lugares. Não dá para ignorar as tragédias silenciosas e diárias do nosso trânsito que mata em números iguais ou superiores aos de uma guerra. Não dá para esquecer a violência silenciosa e covarde cometida contra os mais vulneráveis e frágeis: nossas crianças, nossos idosos e nossas idosas. Não ignoremos a estúpida violência de gênero, praticada contra as mulheres. Não é possível deixar de falar da violência e agressões originadas pelo mundo das drogas e do tráfico, que destroça milhares de famílias brasileiras.
            Praticamos no Brasil uma “cultura de tolerância e negligenciamento”, que resulta em grandes tragédias, nem sempre tão visíveis e claras. Muitos de nós toleramos situações, fatos ou atitudes que representam graves e sérios riscos à gente e aos demais. Por preguiça, medo ou acomodação, não exigimos e não cobramos dos demais e nem dos órgãos competentes ações que preservem a vida, antes de agredi-la. Antes tarde que mais tarde, podemos acordar de nossa apática cidadania.
            Uma grande tragédia pode ser um convite generoso para cuidarmos melhor das nossas vidas e das vidas alheias. A compaixão, este sentimento de colocar-se no lugar do outro que sofre, pode ser um exercício de cidadania ativa, que nos faça todos capazes de defender a vida, sempre que ela correr riscos. Como já disse Anatole France, “a compaixão é que nos torna verdadeiramente humanos e impede que nos transformemos em pedra, como os monstros de impiedade das lendas”.
Nei Alberto Pies, professor e ativista de direitos humanos.

30 de jan. de 2013

Cidadania não se faz vazia


Cidadania não se faz vazia
“Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão”. (Paulo Freire)
A cidadania não é vazia. Ela reveste-se de conteúdos e práticas que traduzem, necessariamente, atitudes, vivências e oportunidades que todos realizamos em sociedade. Cidadania é a possibilidade concreta de todos e todas usufruírem das condições materiais, culturais e científicas produzidas por uma nação e pelo mundo. Para alguns poucos, talvez, cidadania não signifique mais do que reconhecimento. Para a maioria, no entanto, cidadania representa a possibilidade de participar do mundo, a partir de condições de uma vida na dignidade. A dignidade humana envolve questões elementares como educação, habitação, alimentação, saúde, lazer, trabalho, consideração e respeito.
            O Brasil promoveu, nos últimos anos, importantes avanços para combater a pobreza e as desigualdades sociais, mas ainda vivemos sob a regência de uma “cidadania de papel”. Gilberto Dimenstein, autor do livro “O cidadão de papel”, afirma que “cidadão de verdade é aquele que é respeitado e pode se sentir digno ao pagar impostos”. Ainda vivemos situações onde a cidadania não acontece por conta da própria burocracia estatal que se encarrega de dificultar o acesso aos bens e serviços básicos. A burocracia, o papel, atrapalha e dificulta muito a cidadania. A legislação brasileira, tida como uma das mais avançadas, não garante cidadania. Para tirá-la do papel, é preciso exigir e cobrar permanentemente a sua efetividade no cotidiano de nossas comunidades. Mas como cobrá-la se nem sempre temos pleno conhecimento de nossos direitos ou se não temos disponibilidade pessoal ou coletiva para cobrá-la?
A decadência do poder da cidadania leva as pessoas a apostar na sorte. Os direitos passam a ser vistos como possibilidades sujeitas a trocas ou favores e não como elementos de exigibilidade. Muitos brasileiros, infelizmente, são induzidos a crer que a sua vida sempre depende da bondade, conhecimento ou influência de alguém. Desta forma, vivem passivamente à espera de dias melhores, sem tomar as suas iniciativas.
Para vivermos uma cidadania ativa, precisamos construir condições de “empoderamento” através da informação, conhecimento, orientação e organização das pessoas em suas comunidades. Quem conhece seus direitos, participa de sindicatos, grupos ou associações, passa da apatia cidadã para uma postura de sujeito de direitos, tornando-se capaz de reclamar e atuar na defesa e promoção dos direitos, sem pestanejar. Ao perceber os limites de sua atuação individual, passa a ser também um sujeito social, capaz de buscar soluções de forma coletiva e organizada. A organização coletiva, para a conquista dos direitos, é a melhor forma de transformar “letra morta” (lei) em realidade.
Ao contrário dos valores individualistas e egoístas, a luta por direitos humanos se faz na cooperação, no amor e na solidariedade. Lutar por direitos é acreditar nas potencialidades humanas e na liberdade de cada um e cada uma realizar as suas escolhas.

Nei Alberto Pies, professor e ativista de direitos humanos.


23 de jan. de 2013

REPERTÓRIO CULTURAL

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HISTORIA DA RIQUEZA DO HOMEM - Leo Huberman


HISTORIA DA RIQUEZA DO HOMEM - Leo Huberman - 1936 - EUA

ESTE livro tem um duplo objetivo. É uma tentativa de explicar
a história pela teoria econômica, e a teoria econômica pela histó-
ria. Essa inter-relação é importante — é necessária, O ensino da
história se ressente quando pouca atenção se dispensa ao seu as-
pecto econômico; e a teoria econômica se torna monótona, quan-
do divorciada de seu fundo histórico. A “Ciência triste” continu-
ará trine, enquanto ensinada e estudada num vácuo histórico. A
lei da renda de Ricardo é, em si, difícil e insípida. Mas situada
em seu contexto histórico, vista como uma batalha na luta entre
proprietários de terras e industriais, na Inglaterra do início do
século XIX, ela se tornará animada e significativa.

Este livro não pretende ser exaustivo. Não é uma história
econômica nem uma história do pensamento econômico — mas
um pouco de ambas. Tenta explicar, em termos de desenvolvi-
mento das instituições econômicas, por que certas doutrinas sur-
giram em determinado momento, como se originaram na pró-
pria estrutura da vida social, e como se desenvolveram, modifi-
caram e foram ultrapassadas, ao mudarem os padrões daquela
estrutura.

22 de jan. de 2013

LIVRO - FERNANDO CAPELO GAIVOTA

>>> FERNANDO CAPELO GAIVOTA 

 O livro “Fernão Capelo Gaivota”, publicado em 1970 por Richard Bach, é uma história metafórica, uma parábola sobre liberdade verdadeira, superação de limites, encontro de si mesmo, amor e compreensão do outro; mas não tem nada de livro de auto-ajuda! O livro pode ser uma boa forma de ingressar em uma forma de pensamento filosófico, de questionamento do estabelecido e de construção de conceitos próprios.

Veja você mesmo, leia e verás a beleza que é...